Encontrando Autenticidade na Experiência da Maternidade
- Marta Campos
- 24 de ago. de 2023
- 2 min de leitura

Venho acompanhando de perto um fenômeno bastante comum no contexto da maternidade: o aumento significativo das teorias sobre cuidado, que frequentemente impõe normas sobre como criar os filhos. Temos assistido a uma enxurrada de especialistas que opinam sobre como disciplinar, regular o sono, planejar a alimentação, introduzir a higiene e muito mais.
A princípio, pode parecer que esses conhecimentos são valiosos, auxiliando as mães a adotar uma abordagem mais informada em relação à maternidade. No entanto, tenho ponderado sobre como esse excesso desordenado e caótico de informações pode ter um impacto negativo na vivência da parentalidade. Tenho observado mães exaustas, cansadas e, sobretudo, sentindo-se culpadas por não conseguirem cumprir todas as práticas recomendadas por especialistas.
Uma tendência está se solidificando: uma ideia de "padrão ouro" da maternidade, que exige que as mães cumpram uma extensa lista de critérios para serem consideradas "boas mães":
Realização de parto normal
Prática de amamentação em livre demanda
Adoção de higiene natural
Uso de fraldas ecológicas
Utilização de slings
Aplicação da disciplina positiva
Seguimento da criação neurocompatível
Implementação do treinamento de sono
Introdução da alimentação autônoma guiada pelo bebê (BLW)
Exploração do método IA Bliss
Não podemos negar: essa abordagem da maternidade está carregada do peso do desempenho, exigindo um nível de esforço que pode resultar em exaustão.
Cada experiência de maternidade tem um ritmo próprio, uma força única e uma vulnerabilidade particular. Ao longo dessa jornada, cada mãe - singular em sua própria individualidade - constrói um conjunto específico de conhecimentos ao interagir com seu filho - também único em sua singularidade. É dentro desse encontro singular que surgem suposições, dúvidas, validações e sucessos que são significativos para aquela família, também singular. A maternidade, portanto, acontece no cotidiano desse encontro, onde nossa humanidade está profundamente presente.
Venho refletindo em uma Maternidade Baseada em Existência, que tem a capacidade de gerar conhecimentos autênticos e singulares. Proponho que consideremos uma maternidade ancorada nessa existência, capaz de abraçar o real, o possível, a humanidade, os erros, os acertos, as escolhas, o silêncio, os ruídos, os abismos, as pontes, as dores, as alegrias...
Uma maternidade que encontra sua força nas contradições da nossa própria humanidade e, por essa razão, movimenta leveza e autenticidade.
Que sejamos capazes de fortalecer uma maternidade leve, autêntica, produzida desde o centro de nossa existência!
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