Paternidade e Saúde Mental: Um debate necessário.
- Marta Campos
- 5 de set. de 2023
- 2 min de leitura

A experiência da parentalidade é única e diversificada, afetando homens e mulheres de formas distintas. No entanto, ao colocarmos o foco nas discussões sobre saúde mental materna, muitas vezes relegamos a um segundo plano a compreensão das experiências relacionadas à paternidade. Neste contexto, emerge uma necessidade: discutir a Saúde Mental Paterna e compreender de que maneira essa dimensão influencia integralmente a vivência masculina.
Chamamos atenção para os alarmantes índices de abandono e negligência paterna no Brasil. Ao examinarmos essa questão, é fundamental considerar os aspectos culturais e transgeracionais que desempenham um papel crucial na moldagem dessa dinâmica. Contudo, é fundamental expandir esse debate, incorporando as dimensões psicoemocionais.
A despeito da escassez de estudos sobre saúde mental paterna, as informações disponíveis apontam para a necessidade de um olhar mais abrangente. No Brasil, as taxas de depressão pós-parto paterna variam de 11,9% a 25,4%, números substanciais que demandam nossa atenção. Enquanto os estudos sobre fatores relacionados à depressão pós-parto materna ganham espaço, ainda sabemos muito pouco sobre sua manifestação nos homens.
Uma realidade inegável é que a saúde mental dos pais tem um impacto direto na relação afetiva com os filhos e na dinâmica conjugal. Muitas vezes, os sintomas em pais deprimidos passam despercebidos, mascarando-se em situações que colocam em dúvida sua capacidade de cuidado. Pesquisas indicam que essa condição pode se manifestar através de sentimentos de tristeza, desinteresse nas atividades cotidianas, irritabilidade, excesso de trabalho, uso abusivo de álcool e/ou medicamentos, automutilação, atitudes hostis e até mesmo abandono familiar após o parto.
Esse quadro é agravado pela dificuldade cultural que muitos homens enfrentam em identificar e nomear seus sentimentos, tornando o acesso à assistência mais complexo. Além disso, a presença de modelos paternos inadequados pode dificultar a transição para esse novo papel.
Diante desse cenário, é imperativo alargar o escopo da discussão em torno das vivências paternas e sua relação com a saúde mental. Devemos construir redes de apoio que auxiliem as famílias na identificação precoce da depressão pós-parto paterna. Abrir espaço para que os homens compartilhem seus medos e inseguranças diante da paternidade é igualmente essencial.
Cabe a nós criar plataformas para diálogos profundos e estabelecer ambientes sensíveis que promovam o cuidado paterno. Nesse processo, não apenas reconhecemos a importância da saúde mental dos pais, mas também avançamos em direção a uma sociedade mais inclusiva e consciente.
Este texto fez sentido pra você? Me conta como ressoa a discussão sobre a saúde mental paterna.
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